Toca da Perua (TDP): Como surgiu a idéia da formação do grupo?
Grupo de Teatro da casa da ribeira (GTCR): Veio de um projeto social que era realizado nas escolas públicas do ensino médio, agente passou por uma etapa de escolhas, primeiro uma gincana de seleção que foram três dias, Daí foram selecionadas algumas pessoas e começamos uma Oficina inicialmente de três meses e escolhemos a área que queríamos fazer: iluminação, cenografia, interpretação, ou figurino. O Trabalho profissional mesmo veio com o “GESTO CASCUDO”, já estamos á um ano e meio com esse espetáculo.(R: Camila Moraes-Thiago Medeiros)
TDP: E o espetáculo? Como foi o processo de montagem? Qual o significado do titulo da peça ?
GTCR: Parte de “História dos nossos gestos” de Luís da Câmara Cascudo, surgiu a possibilidade de montar algo sobre Luís da Câmara Cascudo; optamos enquanto a obra artística, falar sobre a vida dele.A maioria das pessoas conhecem suas obras, mas não a sua vida em si. Nós queríamos aprofundar, Onde ele nasceu? Viveu e morreu? , Luís foi: Professor e Diretor de algumas escolas, e ajudou a fundar a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também fez parte de nossas pesquisas outros livros tais como: “O tempo e eu”, “Mande in África”, “Canto de muro”. O trabalho de mímica, que é o trabalho de observação em ruas, feiras, etc. O espetáculo traz uma coisa muito nossa, bem peculiar. Faz um passeio no trabalho de memória, nas nossas lembranças, na nossa família, as brincadeiras, tudo que nos tocava a gente trouxe pro personagem.
TDP: Antes do “Projeto Social” surgir, vocês já tinham contato com o teatro?
GTCR:
Camila Moraes: “Eu sempre quis ser de “Teatro”, mas só fazia o básico em igreja, escola, nada muito serio. Mas também não esperava que isso viesse assim, Quando o projeto surgiu na escola foi uma oportunidade muito boa pra todo mundo, até porque eu era novata na escola,e isso também me aproximaria da turma, eu teria a chance de fazer algo novo e também de ser “popular” na escola ( risos ) . A forma de trabalho, os exercícios que eram feitos ... da mesma forma que me ajudava, me incentivava a querer cada vez mais continuar. Depois de um tempo, passou a ser mais serio, O que começou por brincadeira se tornou profissional, onde a gente começa a dedicar os nossos estudos a isso, pesquisas.. oficinas , a gente em casa usa o nosso tempo estudando sobre teatro e fazendo teatro. Então, hoje é uma visão totalmente diferente do inicio.
César Augusto: Pra mim também, antes só fazia teatro na escola, e quando surgiu esse projeto eu falei “-ah, vou tentar né?!“, eu sabia que tinha uma seleção, quando eu vi a quantidade de pessoas que iam participar eu pensei, “-E agora? Tenho que passar!”, enfim passei. Colocando o que Camila falou, para mim, tudo isso começou como brincadeira, conheci novas pessoas, e depois comecei a ter uma visão totalmente diferente de teatro, que não era só interpretação; tinha também cenografia, figurino, iluminação, tudo isso também fazia parte do teatro. Então pra mim foi um baque de profissionalismo, cresci, e tive maturidade pra estar aqui.
Alessandra Augusta: A professora mandava fazer trabalho, tipo... sobre drogas. As meninas jogavam os textos pra cima de mim (risos). Eu fazia uns textos lá na hora, às vezes não dava muito certo agente improvisava. Comecei... mais pela curiosidade, eu me inscrevi de inicio em um monte de curso, no dia eu não sabia o que eu queria , fui me dando mal no inicio depois é que eu fui aprendendo , e ta aí o que é hoje.
TDP: O que foi mais difícil no processo de montagem da peça ?
GTCR: A parte mais fácil na verdade é a parte mais difícil, quanto mais difícil for, fica mais fácil. O teatro tem uma frase que diz: “Você precisa errar... ta ruim? Vai piorar, mas vai melhorar e quando melhorar vai ficar ruim de novo!”, Então quanto mais difícil, vai ficando mais fácil. É complicado “né” essa coisa de mais difícil, de mais fácil?! (Weslí Dantas)
De prático, o mais difícil foi associar ou desassociar o gesto, da fala. Como o espetáculo é gestual, tinha momentos em que você precisava falar o texto e fazer os gestos ao mesmo tempo, e não são gestos naturais, tem uma partitura que a gente ensaiou e construiu. (Camila Moraes)
Também tinha os sentimentos incluindo tudo, você tinha que lidar com os sentimentos de cada um dos personagens. (César Augusto)
No começo era bem difícil associar isso tudo, acho que foi a parte mais difícil da gente conciliar, Porque às vezes a fala era mais lenta e os gestos eram mais rápidos, então você não podia conciliar o tempo da fala com o tempo da partitura, mas com o tempo agente foi se adaptando, até hoje mesmo a gente estuda porque é necessário, o espetáculo ainda não está pronto, aliás ele nunca está, então a parte mais difícil foi conciliar o gesto com a fala. (Larissa Pimenta)
TDP: Vocês têm uma base de quantas apresentações já fizeram?
GTCR: Mais de 50 apresentações.
TDP: Quais os Projetos que vocês estão envolvidos?
GTCR: Atualmente a cidade passa por um processo político enquanto artístico bem interessante, fizemos um movimento de jovens da cidade que lidam com o teatro, música, dança. Pra debater as políticas públicas relacionadas, Pra saber como é que isso é envolvido no nosso país, no nosso estado, na nossa cidade? E ir agregando valor a isso. (Thiago Medeiros)
TDP: Como atores, qual a importância que a “mostra de teatro” traz pra cidade, e pra vocês mesmos?
GTCR: Bom, é muito interessante, porque tende a formar novos espectadores de Teatro, novos apreciadores da arte em si. Acho isso muito interessante principalmente no interior do estado. (Weslí Dantas)
-Eu admiro muito a “A coberta de Teatro” pelo esforço e pelo comprometimento com a cidade e com a arte, sempre cito o exemplo deles, Não é todo mundo que tem esse nível de comprometimento, de envolvimento, de estar disposto a sair de Santa Cruz de moto, para ir pra Natal pra uma escola técnica de teatro. E nós que estamos lá em Natal que temos mais facilidade, não acessamos isso, é muito comodismo. Mas é de uma simplificação histórica e política de extrema importância para a cidade de Santa Cruz. (Thiago Medeiros)
-Também é interessante pelo fato de nós entrarmos em contato com eles, com a cidade, e agente foi super bem acolhido, então, é bem legal ver o envolvimento deles, é como Thiago disse, “eles estão muito envolvidos” e isso é inspirador! Vale para todo mundo, a cidade é pequena comparado à outros lugares, eles estão dando um “rebuliço” para que a cultura seja valorizada. (Camila Moraes)
A Direção do blog "Toca da Perua" agradece ao grupo de teatro da casa da Ribeira por nos conceder essa entrevista. Muito Obrigado e Parabéns ao Grupo !

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